Quarta-feira, 30 de Julho de 2008

I can't get no satisfaction

Embora um pouco fora dos objectivos deste blog, não resisto a deixar-vos uma gravação de 1966 dos eternos The Rolling Stones que uma velha amiga acabou de me enviar (as legendas não serão as melhores, penso eu, mas isso pouco interessa neste caso...) :



video

Terça-feira, 24 de Junho de 2008

...Ainda os espectáculos a favor da Obra da Criança

Dos espectáculos, de que falei anteriormente, realizados a favor da então "Obra da Criança", quero deixar aqui mais uns nomes de jovens que neles colaboraram activamente. Este simples registo não pretende ser, de forma nenhuma, qualquer tentativa de discurso de saudosismo do vulgar género de "... dantes era tudo muito melhor, a juventude era mais solidária, a cultura em Ílhavo era uma realidade viva, etc., etc., etc." com o qual não estou nada de acordo. Os tempos apenas eram diferentes como diferentes foram outros tempos anteriores e certamente diferentes serão os tempos futuros. E tudo isso é absolutamente natural e nada disso será sinal de maior riqueza cultural ou menor qualidade de valores e de princípios.



_______________________________



Espectáculo de variedades a favor da “Obra da Criança”

21 de Maio de 1972

Centro Paroquial de Ílhavo


____________________

Participaram:


- Vasco Bilelo .............................órgão
- João da Madalena......... .........viola baixo
- Peixoto ................................... bateria
- Paulo ....................................... viola ritmo

- José Paulo Vieira da Silva...... apresentação, jograis, canções
- João José Oliveira .................. apresentação, jograis
- João Carlos Catarino .............. jograis
- Cila ........................................... canções, modelos femininos
- Luísa ........................................ canções
- João Coelho ............................. modelos masculinos
- João Teles ............................... jograis, modelos masculinos
- Amadeu .................................. modelos masculinos
- Ângelo ................................ .... modelos masculinos
- Zélia ........................................ modelos femininos
- Ana Menezes ......................... modelos femininos
- Francisco Oliveira ................. luz
- Aníbal ..................................... pano, luz
- David ...................................... canções
- Jacinto Grilo ........... .............. apresentação, canções, modelos masculinos
- Henedina Martins ....... ......... poesia
- A. Vieira da Silva .................. contra-regra, canções

Aparelhagem de som emprestada pela firma “Casal” e pelo conjunto musical “Escape”.

______________________

Espectáculo de variedades a favor da “Obra da Criança”

26 de Agosto de 1972

Cine-Teatro - Costa Nova do Prado
__________________

Participaram:

Conjunto musical “Jota 4”:

1. - Vasco Bilelo ..................................órgão
2. - João da Madalena ……….............viola baixo
3. - João Aníbal Ramalheira ............ bateria
4. - Paulo ............................................ viola ritmo

-Vieira da Silva........................ jograis, canções
- João José Oliveira ............... jograis
- João Carlos Catarino ........... jograis
- Cila ......................................... canções
- Luísa ..................................... canções
- João Teles ........ jograis,
representação
(empregado do “Telheiro – Casa típica”)

- Francisco Oliveira .................. luz
- Jacinto Grilo ........................... canções
- Henedina Martins ................. poesia
- A. Vieira da Silva ................... contra-regra, canções
- Vítor Almeida ........................ canções
- Adélia Cruz ............................. fados
- Carlos da Branca ................... violino
- João da Madalena (Pai) ........ violino
- Manuela da Branca ............... acordeão
- Anabela Gomes ..................... fados
- Mário de Sousa ..................... guitarra portuguesa
- Hernâni Pais .......................... viola
- Manuel Teles ........................ apresentação do espectáculo


Aparelhagem de som emprestada pela firma “Casal” e pelo conjunto musical “Escape”.

________________________________

Espectáculo de variedades a favor da “Obra da Criança”

7 de Setembro de 1972

Centro Paroquial de Ílhavo
________________________


Participaram:


Conjunto musical “Jota 4 + 1”:

1. - Vasco Bilelo ......................................órgão
2. - João da Madalena ……….................viola baixo
3. - João Aníbal Ramalheira ................ bateria
4. - Paulo ................................................ viola ritmo
5. - Mário da Madalena ........................ viola solo


Conjunto “Nova Dimensão” (de Aveiro)


Canções por:

1. – Manuel Freire
2. – Jacinto Grilo
3. – Luísa
4. – Vítor Menício
5. – Maria da Luz
6. – José Paulo Vieira da Silva
7. – Guilhermino Ramalheira
8. – Vítor Lourenço Marques
9. – Cila
10. – A. Vieira da Silva

Jograis:

1. – João Teles
2. – João Coelho
3. – Ângelo
4. – José Paulo Vieira da Silva

Poesia dita por:

- Henedina Martins

Tangos por:

1. – João da Madalena (Pai) ................... violino
2. – Carlos da Branca ............................... violino
3. – Frederico Silva .................................. violino
4. – Vasco Bilelo ........................................ acordeão
5. – João da Madalena ……….................... viola
6. – Mário da Madalena ........................... viola
7. – João Aníbal Ramalheira .................... bateria


Representação de personagens:

1. – João Carlos Catarino ..... empregado da ‘TAS ‘KA MOSKA
2. – João Teles ...................... gerente da ‘TAS ‘KA MOSKA

Apresentação do espectáculo:

- Manuel Teles

Contra-regra:

- A.Vieira da Silva

Autoria de textos:

- Eng. Cachim ( “A visita de um turista a Ílhavo” lido por Manuel Teles)

- A.Vieira da Silva

Luz do espectáculo:

- Francisco Oliveira

Trabalharam nos bastidores, entre outros:

Odete Lopes Ferreira
António Rosalino
Francisco Teles

_______________________

E em 11 de Janeiro de 1974 ...





Sexta-feira, 13 de Junho de 2008

Senos da Fonseca, a rebeldia da insatisfação



Decidi arriscar-me e abrir a pequenez deste "blog" ao mar sem sossego do sempre inquieto Senos da Fonseca. Será apenas uma brevíssima referência feita sobretudo da imagem que dele tenho, desde há muitos anos, de eternamente insatisfeito combatente por causas de democracia e liberdade.


Navegador incansável de viagens intermináveis, com rumos nem sempre perceptíveis ao comum dos homens de terra, como muitos de nós, sempre assim o conheci sem exactamente o conhecer nas limitações que me reconheço ... ( Já o imagino a sorrir, com a ironia fácil de quem sofre a imensa sede de futuro, e a dizer num sussurro mal contido: este agora deu em pensar que também é poeta).


Eu sei que isto é quase nada, mas tenho a certeza que cada um dos leitores deste esboço não vai resistir e vai sair à procura das palavras e das imagens que já se pressentem para lá destes endereços de blogs e títulos de livros.

__________________



Do perfil apresentado pelo próprio Senos da Fonseca em

que certamente consultarão na totalidade,

sublinho apenas os graus académicos e as publicações editadas:



Graus Académicos - Curso de Engenharia Mecânica da U. P.
- Engenheiro Maquinista Naval



Publicações Editadas:

Artigos Profissionais (vários)

"Edição do Blog Terra da Lâmpada – 2007"

"Ílhavo Ensaio Monográfico Séc X – Séc XX"

"Ângelo Ramalheira - O Rigor Científico numa Personalidade de Eleição"

"Filinto Elísio"

"Guilhermino Ramalheira - O Discurso da Paixão"

"Nas Rotas dos Bacalhaus"

"Alexandre da Conceição - Poeta da Terra Absurda"

"Blog Vol. I, II, III, e IV"


_________________________



Em 1969 como Presidente da Direcção do Illiabum Clube fez parte da organização de um programa ilhavense chamado VIP-VIP que João Aníbal Ramalheira regista na sua página http://ramalheira.no.sapo.pt/ no tema "Revistas e Espectáculos" da seguinte forma:


"Foi uma réplica Ilhavense ao conhecido Zip-Zip! O primeiro programa realizou-se no Salão Paroquial em 15 de Novembro de 1969 pelas 21.45 H. Era organizado por um grupo de jovens Ilhavenses e pelo Illiabum Clube. Senos da Fonseca, Vítor Menício e Manuel Teles, encarregavam-se das entrevistas e a parte musical estava a cargo do conjunto J4 (João Paulo, João Madalena, João Aníbal e João Nunes Madalena). A parte humorística era redigida por um trio responsável por muitos espectáculos realizados na altura: João Madalena, Guilhermino Ramalheira e Vitor Menício. Passaram pelo Vip-Vip, José da Velha, Vieira da Silva, António Serrão, Vítor Barateiro, João Marques Ramalheira, Paulo Lemos, Maria Filomena (padeira de Vale de Ílhavo), José Vidal, Frederico de Moura, Bélinha e Manuel José Craveiro e outros. As receitas obtidas eram destinadas a Instituições como a Casa da Criança, Museu de Ílhavo, etc..Pensamos que só foram realizadas três sessões, em virtude de uma queixa anónima apresentada à Direcção Geral dos Espectáculos. O êxito obtido pelo Vip-Vip começou a retirar público aos outros espectáculos e tudo ficou por aqui."



O Diário de Lisboa de 17 de Novembro de 1969

sublinhava que no VIP-VIP

tinham sido "focados problemas da região":



______________




Fez parte da Comissão Nacional do 3º. Congresso da Oposição Democrática que se realizou em Aveiro de 4 a 8 de Abril de 1973 :









___________________




Desde Janeiro de 2004 que se tem dedicado à construção de diversos "blogs"
dos quais se destacam:

http://www.wwwlampada.blogspot.com/;


http://terralampada.blogspot.com/;


http://www.nauportugal.blogspot.com/;


http://www.200anosdacosta-nova.blogspot.com/



por onde poderemos entrar a partir do novo cais com o endereço:



http://senosfonseca.com/




Entre palavras muitas vezes carregadas de ironia e de amargura, tem procurado manter acesa a velha ideia de fazer deste seu Ílhavo a Terra dos sonhos de que teima em não desistir. Polémico como insistentemente sabe ser, não se deixa calar nem pela força dos ventos mais ou menos nocturnos, nem pelo cantar cinzento das ondas das marés, aparentemente vivas, com que, ao longo dos anos, o têm tentado desviar da persistente viagem rumo ao porto que um dia imaginou e onde quer teimosamente ancorar.



"Alimento-me desta inquietação. Se for derrotado a meio da subida da montanha, é lá que fico: nunca cá em baixo a olhar para a montanha, a pensar que a mesma é inacessível. Nem que seja a acalentar a fantasia, quando descorçoo da realidade. " (págs. 20/21 do vol. V da "Terra daLâmpada").

__________________


Em 2005 publicou "Nas Rotas dos bacalhaus do Séc. IX ao Séc. XVI"









Melhor do que tentar convidar-vos (para quem ainda não o conhece) a viajar pelo livro de Senos da Fonseca, vivendo a aventura em que consegue transformar esta "rota dos bacalhaus",

será deixar aqui as palavras que o Autor dirige ao leitor na "Introdução":













________________



Em 15 de Junho de 2007 procedeu ao lançamento da sua obra

"ÍLHAVO - ENSAIO MONOGRÁFICO DO SÉC. X AO SÉC. XX"



(excerto do Prefácio)







Não sendo este despretensioso "blog" qualquer espaço de especialidade de qualquer área, não seria, naturalmente de esperar, que eu (que para tal nem sequer tenho as necessárias competências) aqui viesse fazer qualquer tentativa de análise ou crítica da obra "ÍLHAVO, Ensaio Monográfico do Séc. X ao Séc. XX".
Mas penso que posso afirmar, sem receio de cometer qualquer erro por exagero, que nunca mais se poderá realizar qualquer estudo sobre as Terras e as Gentes de Ílhavo sem consultar obrigatoriamente este trabalho de investigação, que o Senos da Fonseca conseguiu transformar num volume de factos e de imagens, em que se sente a paixão pelo conhecimento do que fomos para melhor compreender o que somos, e descobrirmos os caminhos mais adequados para construirmos um futuro que nos liberte, sem nos atraiçoar a riqueza da seiva que nos invadiu desde as raízes.


Do "Prefácio" escrito pelo próprio Senos da Fonseca atrevo-me a transcrever:


"... Não sei se as novas gerações vão procurar o futuro baseando-se numa identidade que veio de trás, de muito longe. Quero acreditar que sim... À cautela, deixo-lhes o meu testemunho do que fomos, não para que acreditem, mas para que o discutam. "
para que esta terra não seja só lugar de estar, mas de ser
. "

Terça-feira, 3 de Junho de 2008

LET THE SUNSHINE IN



Nas breves referências que fiz anteriormente a João Aníbal Ramalheira, recordei alguns jovens amigos (de que haverei de falar com mais pormenor um dia destes) que participaram em diversos espectáculos como conjunto musical J4 e J4+1.

Para eles, e para todos os que com eles cantaram a favor da então Obra da Criança (dirigida por Dra. Maria José Senos Fonseca, Sr. José Celestino e Capitão José Vaz),

e também para todos os que, tanto no palco como nos bastidores do antigo Atlântico Cine-Teatro, souberam dar a a alegria e a magia que nos faziam continuar a acreditar no futuro, aproveito para deixar aqui, em jeito de homenagem simples e de saudade, um breve apontamento dos alinhamentos dos programas de

2 de Janeiro de 1973 e de 11 de Janeiro de 1974

e um vídeo "retirado" do "Youtube" com uma versão de uma das canções com que se concluiu um desses espectáculos (de cuja data já não me recordo).

___________________

Espectáculos de variedades a favor da “Obra da Criança” :


2 de Janeiro de 1973
- Atlântico Cine-Teatro - Ílhavo


Conjunto musical “Jota 4”:

1. - Vasco Bilelo ...................................................órgão
2. - João da Madalena ........................................viola baixo
3. - João Aníbal Ramalheira ............................. bateria
4. - Paulo ............................................................ viola ritmo

Canções por:

1. – Rosa Teresa Picado
2. – José Manuel
3. – Vítor Menício
4. – Maria Teresa Santos
5. – José Paulo Vieira da Silva
6. – Vítor Lourenço Marques
7. – A. Vieira da Silva

Grupo coral:

1. – Odete Lopes Ferreira
2. – Celeste Lopes Ferreira
3. – Dora
4. – Margarida
5. – João Teles
6. – António Rosalino
7. – João José Oliveira
8. – José Paulo Vieira da Silva

Uma canção satírica (piada local) interpretada por:

João Teles

Tangos:

1. – João da Madalena (Pai) .......................... violino
2. – Carlos da Branca ............................. violino
3. – Frederico Silva ................................ violino
4. – Vasco Bilelo ...................................... acordeão
5. – João da Madalena ............................ viola
6. – João Aníbal Ramalheira .................. bateria

Imitações e intervenções diversas por:

Vidal Ribeiro

Textos e contra-regra:

A.Vieira da Silva

Luz do espectáculo:

Francisco Oliveira

________________________________________________

11 de Janeiro de 1974 - Atlântico Cine-Teatro - Ílhavo

Conjunto musical :

1. – Vasco Bilelo
2. – João da Madalena
3. – João Manuel da Madalena
4. – João Aníbal Ramalheira
5. – Luís de Pina

Canções por:

1. – Guilhermino Ramalheira
2. – Eduarda Maria
3. – Arnaldo Carvalho
4. – Vítor Menício
5. – Silvina Maria
6. – Manuel Vieira Ramos
7. – Maria da Luz
8. – Vítor Lourenço Marques

Coros:

1. – João Teles
2. – Rosa Maria
3. – Berta
4. – João Coelho
5. – Odete Carrancho
6. – Arminda Ré
7. – Isa
8. – Eneida Campanhã
9. – Celeste Lopes Ferreira
10. – Dora
11. – Odete Lopes Ferreira
12. – João Mário
13. – Adelaide

Tangos:

1. – João da Madalena (Pai) .............................. violino
2. – Frederico da Silva ....................................... violino
3. – Vasco Bilelo ................................................... acordeão
4. – João da Madalena ....................................... viola
5. – João Manuel da Madalena .......................... viola
6. – João Aníbal Ramalheira .............................. bateria

Imitações:

Vidal Ribeiro

Representação de personagens:

João Teles
Vidal Ribeiro
A.Vieira da Silva

Apresentação do espectáculo:

A.Vieira da Silva
José Paulo Vieira da Silva

Textos e contra-regra:

A.Vieira da Silva

Música de canções originais:

João Manuel da Madalena
A.Vieira da Silva

Som de cabine:

João Cordeiro

Luz do espectáculo:

Francisco Oliveira

Colaboração de:

1. – Publicidade Vouga
2. – Empresa Proprietária do Atlântico Cine-Teatro
3. – Metalurgia Casal
4. – Produções FRA (Coimbra)
5. – Ateneu de Coimbra

_________________________


E aqui fica a canção que acabámos todos a cantar "... let the sunshine in ... "


video

Domingo, 1 de Junho de 2008

João Aníbal Ramalheira, a memória para o futuro



Confesso que tenho dias em que não resisto em convencer-me que sou um indivíduo com sorte. Eu sei, eu sei que é a idade a avançar e eu a deixar que a emoção me perturbe a rigidez do pensamento que teimosamente aprendemos que não se deve desviar do racional sob pena de errarmos diagnósticos sucessivamente.

Mas hoje tenho uma boa desculpa para me deixar de fingimentos ... Decidi reencontrar-me a sudoeste com o meu velho amigo João Aníbal Ramalheira e aproveitei o pretexto para lhe "roubar" uma fotografia de um conjunto de jovens que conheci exactamente na sala de aula da antiga 4ª. classe do Professor Rogério. Porque (e aqui começou a dita sorte) o saudoso Professor pediu-me que colaborasse com ele e fosse para aquela sala durante uns poucos dias do final do ano lectivo "tomar conta" dos "putos" (de que fazia parte o meu irmão). E aprendi tanto com eles que ainda hoje me acontece vezes demais pensar que sou mais novo do que de facto sou.

( João Graça, Vasco Bilelo, José Paulo, João David, Jorge Bizarro, João de Oliveira, Paulo Nordeste, João Cândido Agra, António Marques Silva, Rui Santos, J. Aníbal e Manuel Machado)

_______________________________________


"João Aníbal Maia Marques Ramalheira nasceu em Ílhavo em 7 de Março de 1953. Embora o seu sonho de menino fosse ser Professor do Ensino Primário como seu Pai (e mais tarde seu irmão) é, desde 1978, Professor do Ensino Profissional Agrícola, estando há vários anos estreitamente ligado à história da EPAV (Escola Profissional de Agricultura e Desenvolvimento Rural de Vagos) quer em funções docentes quer como membro do Conselho Executivo."

Em finais dos anos 60 formou com João Paulo, João Madalena, e João Nunes da Madalena o conjunto musical "Jota 4" que mais tarde se transformaria no "Jota 4+1" com a entrada de Vasco Bilelo. Nos anos 70 continuou como baterista no conjunto "Jakarandá" (de que fazia parte também Paulo Lemos).



Em 1973 com alguns amigos ("... dos quais se destacavam José Paulo Vieira da Silva, João José Figueiredo e José Peixoto...") "animou as tardes de domingo no Jardim Henriqueta Maia com o programa "ORBITRAL 2 S" transmitido da Cabine de Som da chamada Agência Técnica" (por cima dos antigos serviços do CTT) ... Ainda estávamos longe das Rádios Locais...




Mas esta "vocação" da "Rádio" nunca mais o abandonou:

Com Manuel Teles e João Madalena fez (na Rádio Terra Nova) uma série de 100 programas radiofónicos, sob o título “Recordar é viver”, englobados no centenário dos Bombeiros Voluntários de Ílhavo.


E ainda hoje continua ligado à Rádio sendo responsável com Nelson Teles pelo programa “Flor de liz” (às segundas à noite na Rádio Terra Nova e aos sábados de manhã na Rádio Voz de Vagos).

________________________________


Tem vindo desde há alguns anos a divulgar um conjunto precioso de informação sobre o mundo cultural ilhavense, sobretudo da primeira metade do século XX, desde teatro, revista, e outro tipo de espectáculos, e outros acontecimentos que vale a pena rever com pormenor e demoradamente na sua página na internet com o endereço http://ramalheira.no.sapo.pt/.


As breves referências, transcrições ou cópias, que aqui vou deixando, apenas pretendem servir de pretexto para que procurem, nessa página e no jornal "O Ilhavense", o muito da riqueza de imagens, notícias e curiosidades relativas a pessoas, factos e lugares deste nosso Ílhavo.
Porque dessa visita vão poder verificar que a pouco e pouco se pressente a "alma" que hoje tantas vezes se vai aparentemente esquecendo na pressa das chamadas requalificações ditas arquitectónicas.






Já desde 1998 que tinha, entretanto, iniciado um importante trabalho de pesquisa sobre músicos ilhavenses, organizando, com a sensibilidade e o rigor que lhe são característicos, toda a informação disponível, e tornando-a pública através da já referida página com o endereço http://ramalheira.no.sapo.pt/ e nas páginas do jornal "O Ilhavense"











Apenas me resta um apelo ao João Aníbal, que parece tão lógico que quase seria desnecessário:
publica em livro (um primeiro de vários que poderás publicar...)
muita desta informação que já recolheste e organizaste.
Alguns dos que se vão encontrando neste pequeno recanto a sudoeste estarão seguramente disponíveis para colaborar contigo na edição que já se vai tornando urgente.


Sábado, 17 de Maio de 2008

Os LEMES


Aproveitando a referência feita anteriormente a João Balseiro e ao seu importante papel desempenhado na Secção Cultural da ACD "Os Ílhavos" (com a colaboração, entre outros, de Adélio Simões) aproveito para deixar aqui registados todos os lemes atribuídos desde 1994:


1994


Cultura - Jornal O Ilhavense
Desporto - Prof. Carlos Cabral


1995

Desporto - Manuel Rocha
Director do Ano - José Eugénio
Música - João da Madalena (pai)
Pintura - Coronel Cândido Teles
Poesia - Augusto Nunes
Reportagem - Carlos Duarte
Sócio do Ano - Luís Rosário
Teatro - Grupo Ribalta


1996

Desporto - Nuno Barreto
Director do Ano - Não atribuído
Honra - Eng. Jorge Cunha
Música - Artur Ramisote
Pintura - Marcos Sílvio
Poesia - J. Quintino Teles
Política - Armando Calisto ( Presid. Ass. Municipal )
Rádio - Flor de Liz – João Aníbal / Nelson Teles
Reportagem - Faina Maior – Cap. Francisco Marques e Dra. Ana Maria Lopes
Sócio do Ano - Mário Matias
Teatro - A Tulha

1997


Artes Plásticas - Fernando José Morgado
Comunicação Social - João Manuel Madalena
Desporto - Teresa Machado
Director - Francisco Oliveira
Honra - José Eugénio
Instituições - Casci – Centro de Acção Social concelho Ílhavo
Literatura - António Santos Redondo (João Mulemba)
Música - Vieira da Silva
Sócio do Ano - João Balseiro
Teatro - João Esteves de Almeida

1998

Artes Plásticas - Galeria A Grade
Comunicação Social - João Balseiro / Geraldo Alves
Desporto - Augusto Pereira
Director do Ano - Paulo Matos
Honra - Ismael Grilo
Instituições - Fundação Prior Sardo
Literatura - Cecília Sacramento
Música - Paulo Lemos
Sócio do Ano - José Barreto
Teatro - João dos Anjos
1999

Artes Plásticas - António Neves
Associações - Banda dos B. Voluntários de Ílhavo – Música Nova
Comunicação Social - José Carlos Sá
Desporto - I.A.C. – Ílhavo Andebol Clube
Director do Ano - Não atribuído
Especial Comissão - César Rosado
Honra - João Roque
Instituições - Património dos Pobres
Literatura - Viriato Teles
Música - Vasco Bilelo
Sócio do Ano - José Ferraz
Teatro - G.R.A.L. – Grupo Recreativo Amigos da Légua
2000

Artes Plásticas - Samuel Corujo
Comunicação Social - Rádio Terra Nova
Desporto - Grupo Desportivo da Gafanha
Director do Ano - Não atribuído
Honra - Diana Teixeira
Instituições - G.N.R. – Ílhavo
Literatura - Ascêncio de Freitas
Música - António Machado
Política - Dr. António Pinho
Sócio do Ano - Filomena Ferreira
Teatro - Júlio Mergulhão
2001


Artes Plásticas - Adélio Simões
Comunicação Social - Discurso Directo
Desporto - Carlos Gouveia
Director do Ano - António Almeida e Felisberto Teixeira
Especial Comissão - Rancho Regional da Casa do Povo de Ílhavo
Honra - Dankal
Instituições - Assoc. Humanitária B. V. Ílhavo
Literatura - Clara Sacramento
Música - Óscar Marcelino da Graça
Política - José Agostinho Ribau Esteves
Sócio do Ano - Francisco Oliveira
Teatro - Duarte Zé
Uma Vida e Uma Obra - Sílvia Sacramentro
2002

Artes Plásticas - Júlio Pires
Comunicação Social - Carlos Teixeira
Desporto - José Ançã
Director do Ano - Não atribuido
Especial Comissão - Sara Reis Silva
Honra - Dr. Jorge Tadeu
Instituições - A . R.C. Chio-Pó-Pó
Literatura - Vieira da Silva
Música - Adélio Simões
Política - Prof. João Bernardo
Sócio do Ano - Fernando José Morgado
Teatro - Escola E.B. Gafª da Nazaré
Uma Vida e Uma Obra - Américo Teles / Mário Castrim


2003

Artes Plásticas - Joaquim Filipe
Comunicação Social - José Torrão Sacramento
Desporto - Sara Pinho
Directo do Ano - Não atribuído
Especial da Comissão - João Aníbal Ramalheira
Instituições - C.N.E. – Agrupamento 189
Leme de Honra - Arlindo Valente Domingues Prina
Leme de Honra - Rui Lino Abreu da Silva
Leme de Honra - João Cândido da Rocha Bernardo
Leme de Honra - José Gomes da Silva
Leme de Honra - Joaquim Gomes da Silva
Leme de Honra - José Guilherme Martins da Silva
Leme de Honra - José Fernando Abreu da Costa
Leme de Honra - João Baptista Leite de Freitas
Leme de Honra - Victor Manuel Ribeiro Marçalo
Leme de Honra - Duarte Lindorfo Freitas Ferreira
Leme de Honra - João de Sousa Garcês
Leme de Honra - Carlos Manuel Santos Ferreira
Literatura - Geraldo Alves
Música - Banda B.V. Ílhavo (Música Nova)
Política - Junta de Freguesia da Gafª do Carmo
Sócio do Ano - César Rosado
Teatro - Graça Belo
Uma Vida e Uma Obra - João Carlos Celestino Gomes


2004


Artes Plásticas - João Carlos Mouro
Comunicação Social - Maria José Santana
Desporto - Equipa Juvenis Atletismo ACD Os Ílhavo
Director do Ano - não atribuído
Especial Comissão - Domingos Lopes
Honra - José Agostinho Ribau Esteves
Instituições - Santa Casa da Misericórdia de Ílhavo
Literatura - Domingos Freire Cardoso
Música - Jorge Ferreira
Política - Eduardo Conde
Sócio do Ano - não atribuído
Teatro - Guilhermino Figueiredo Ramalheira
Uma Vida e Uma Obra - D. Júlio Tavares Rebimbas

2005


Artes Plásticas - Ferreira de Almeida
Comunicação Social - Fernando Martins
Desporto - Diogo Carvalho
Director do Ano - Carlos Roque
Especial Comissão - Dr. Álvaro Garrido
Sócio de Honra - Dr. João Resende
Instituições - Amigos da Terra da Praia da Barra
Literatura - Catarina Resende
Música - Jacinta
Política - Não atribuido
Sócio do Ano - Eng. Carlos Torrão
Teatro - Teresa Silveirinho
Uma Vida e Uma Obra - Dinis Gomes


2006


Artes Plásticas - não atribuído
Comunicação Social - não atribuído
Desporto - não atribuído
Director do Ano - não atribuído
Especial Comissão - não atribuído
Honra - Engº Fernando Caçoilo
Instituições - não atribuído
Literatura - não atribuído
Música - não atribuído
Política - não atribuído
Sócio do Ano - Carlos Sousa
Teatro - não atribuído
Uma Vida e Uma Obra - não atribuído

Terça-feira, 13 de Maio de 2008

João Balseiro, a batalha incessante contra o esquecimento

O meu Amigo João Balseiro, adepto incondicional do campeão FCP, tem uma obsessão incurável: evitar que se percam, nos desvios do quotidiano cinzento, as palavras, as músicas, as imagens, os desenhos, as aguarelas, os óleos, as esculturas, ou seja lá o que for, que as mulhres e os homens que ele vai conhecendo mais de perto ou mais de longe, tenham criado ou venham a criar.



Para esta brevíssima referência aproveito umas notas biográficas que Fernando Matos publicou numa sua página cujo endereço era http://www.terravista.pt/mussulo/3830 e de que fiz cópia em 7 de Maio de 2003 :




Em 1995 iniciou a atribuição dos "Lemes do Ano" com o objectivo de homenagear diversas personalidades ou entidades que em cada ano se tenham distinguido em diversas áreas. Os primeiros "Lemes", referentes ao ano de 1994, foram entergues a: Jornal "O Ilhavense" (Leme da Cultura) e Professor Carlos Cabral (Leme do Desporto).


Através da Secção Cultural da ACD "Os Ílhavos" editou os livros de "Da minha Terra e do seu Povo" de Quintino Teles, "Cravos com espinhos" de Geraldo Alves, "Os espelhos da Água" de Augusto Nunes e "Vista Alegre, a minha terra" de João Esteves de Almeida.





















Foi um dos que mais insistiu para que eu publicasse o meu único livro "Marginal, poemas breves e cantigas", tendo colaborado activamente na sua organização (apesar da edição ter sido efectuada pela Discantus/MC) e foi ele que apresentou e orientou a sessão de lançamento em 29 de Novembro de 2002.










Com Manuel Rocha Carneiro publicou regularmente em "O Ilhavense", em 2005 e 2006, uma coluna de opinião com o título "Nortadas".










Em Junho de 2006 esteve na organização de mais uma iniciativa de divulgação de Autores Ilhavenses sob o título "Os Autores à Mesa do Café":




Com Geraldo Alves fez durante anos na Rádio Terra Nova o programa "Porque hoje é sábado" sobre o qual escrevi em "O Ilhavense" de 1 de Junho de 2007:




Este pequeno vídeo feito artesanalmente por mim (com muitos defeitos) é apenas uma nota breve de homenagem ao João Balseiro. Além das fotografias (do André Neto, do Carlos Alberto Rocha e do Carlos Duarte e minhas), utilizei como banda sonora um fragmento do programa "Porque hoje é sábado" transmitido no dia 15 de Fevereiro de 2003 na Rádio Terra Nova.


video





Quinta-feira, 20 de Março de 2008

Torrão Sacramento, a luta constante pelo jornalismo independente



O meu Amigo Torrão Sacramento é Jornalista

e Director do Jornal "O Ilhavense" desde 1997.

Vale a pena reencontrá-lo todos os meses nas sucessivas edições daquele Jornal (dias 1, 10 e 20), através da leitura atenta dos seus Editoriais e dos textos de opinião de autores de diversos estilos e quadrantes. E aproveitar para verificar o cuidado com que nos transmite as notícias que reflectem, tão correctamente quanto possível, o que se vai passando a nível concelhio, regional e nacional.

Poderá acontecer que nem sempre estejamos de acordo com o que escreve, ou com o que publica, mas seguramente acabaremos por concluir que Torrão Sacramento não desiste de procurar ser, cada vez mais, o Director de um Jornal livre e aberto a todos na sua diversidade de ideias e sentimentos.

E é exactamente este seu jeito de lutar incessantemente por se manter um Jornalista independente e teimosamente preocupado com a sua própria coerência, que me obriga a trazê-lo até aqui. Para que faça parte deste espaço a sudoeste.





Nunca deixando de ter presente o grande objectivo de promover e defender o que em cada momento considera ser o melhor para o concelho de Ílhavo, faz dos seus Editoriais uma insistente batalha sob o lema "Por Ílhavo"



A realização dos Jogos Florais do Concelho de Ílhavo
tem sido um dos sonhos que tem conseguido realizar com o apoio essencial de Domingos Cardoso e outros amigos e colaboradores de "O Ilhavense".




Em 21 de Outubro de 2006 os Jogos Florais do Concelho de Ílhavo

tiveram como patrono

Américo Teles.



Domingo, 16 de Março de 2008

José Barreto, a amargura inquietante de poeta




O meu amigo José Barreto (com quem fui cúmplice nos tempos do Serviço Cívico que, com o apoio do MFA, organizámos no Bairro dos Pescadores da Costa Nova) é um ilhavense de alma plena que desde há muitos anos acredita que a cultura é uma imensa praça pública onde todos nos podemos reunir sem necessidade de despirmos as diferenças que aparentemente nos separam. Da sua sensibilidade, recortada incessantemente pela amargura inquietante de poeta, deixo-vos uns brevíssimos excertos de uma notas que elaborou a meu pedido (e que certamente poderemos ler mais desenvolvidas um dia destes, quando José Barreto decidir fazer o livro que estas suas palavras fazem adivinhar).


(...)


"Nascido filho de pescador à linha no bacalhau e de mulher doméstica, ambos de Ílhavo, neto de avô homem do mar e mulher do campo, pelo lado paterno, de homem serrano, com vistas para a laguna do Vouga, relojoeiro e ourives de profissão, e mulher gafanhôa pelo lado materno, nasceu pobre de recursos mas honrado. Criado nos becos ao centro da Vila, nos frios da invernia ou sob o tecto folhado das tílias do jardim municipal, passou meses à borda d'água com o cheiro salgado dos lugres por companhia, dias a marulhar ao resguardo do Neptuno, navio bacalhoeiro à linha fundeado no Tejo, com lembranças de fragatas afanadas no estuário e a ausência determinante do convívio com mais garotada. Foi protegido de mãe, filho único, quase tímido, cheio de afectos e recônditos de alma, talhado nas mínguas da convivência e das celebrações.

(...)

"Aprecia a boa literatura, tem um fraquinho por gastronomia e não vagabunda mais porque o pesado sentido de responsabilidade que o move não lho permite. Politicamente à esquerda socialista, não tem os políticos em muito boa conta, odeia as manobras da classe e se pudesse viver sem eles dispensava-os sem hesitar. Sobre o liberalismo económico vigente
acode-lhe pensar que o mundo anda às avessas e em boa parte perdido. "


(...)

"Se um dia puder publicar mais uns quantos livros importará fazê-lo por sua conta e risco, livre, que as letras não podem ter grilhões nas asas, nem estar sujeitas a políticas, influências ou paradigmas."










Em Dezembro de 1997
publicou "Diário de bordo dum pescador - Na rota do bacalhau".
Das palavras escritas pelo próprio José Barreto em "Nota do Autor" sublinho:


"Obra de ficção (romance) o "Diário de Bordo dum Pescador" é uma narrativa de factosimaginários,que não repugna à verdade, formando uma história fictícia. Personagem olhada frequentemente e apenas como expoente técnico e operacional da pesca do bacalhau, tardiamente perpetuado no espaço cultural da minha terra, cabe-me assim prestar-lhe as honras e o respeito há muito merecido."


________________________



Em Junho de 1999
publicou
"Cânticos de Paixão e Outras Cores" (Poesia)
que dedicou
"A todos os náufragos da paixão, quaisquer que tenham sido as suas cores."


São desse livro os três poemas que aqui transcrevo:



A luta


Existe em ti
Meu amor,
A força viva
Das águas em rápido...
A subtileza
Da espuma dos oceanos...
A liberdade!
Existe em ti
Meu amor,
O colorido
Das aves organizadas
E o trilhar
Das escarpas em flor...
A plenitude!
Existe em ti
Meu amor,
A vontade ainda nunca
Das lágrimas sempre ocultas,
O sorriso ainda frágil
Dos sonhos mal desbravados...
A nostalgia!
Mas é preciso continuar.




Em memória de mim

Há casas que se erguem no meu mirante
Como escolhos,
Empecilhos ou batidelas nos olhos.
Há verdes campos
Que ainda teimam em crescer,
Milhos embandeirados,
Trigos doirados
A contrariar o que irá acontecer.
Nestas terras de agras abertas
Vi meus avós labutar
Numa hora em que era preciso viver,
Bulir, e manter as contas certas.

Cheios de suor e de alegria
Não conheciam tristezas...
Vingavam como searas de loiros trigos
E campos verdes de milhos espigados
Irrompendo das incertezas.



Destino
Quis a musa
Que me cumprisse assim...
Rio de leito profundo
A porfiar-me neste mundo,
Até ao fim!...

Sábado, 23 de Fevereiro de 2008

Ana Maria Lopes - o mérito reconhecido

(Diário de Aveiro de 28/02/2008)


(O Ilhavense de 20/02/2008


_____________________


... nem sempre temos a capacidade de reconhecer a verdadeira dimensão de quem partilha connosco as mesmas ruas da mesma cidade.

Talvez o problema se resuma à existência de um exagerado número de casos de miopia e a um cada vez mais evidente processo de envelhecimento precoce que nos vai trazendo a inevitável diminuição da vulgarmente chamada "visão ao perto".

Paradoxalmente (ou talvez não), é muitas vezes a distância que nos faz redescobrir a riqueza da realidade que sempre desvalorizámos.

Parabéns Ana Maria.

Sábado, 16 de Fevereiro de 2008

Ana Maria Lopes, a força de viver entre a ria e o mar



Conheço a Ana Maria desde a nossa juventude, mas nunca consegui ultrapassar os limites da minha timidez e falar-lhe da profunda admiração que sempre tive por ela.

Oxalá a breve referência à sua obra neste modestíssimo blog possa contribuir para sublinhar o valor desta ilhavenese junto de todos os que ainda não a tenham reconhecido na sua dimensão de mulher dedicada à Cultura.


___________________

Ana Maria Lopes nasceu a 8 de Dezembro de 1943.
Licenciada na Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra, com a classificação de 17 valores, apresentou a dissertação de licenciatura "O Vocabulário Marítimo Português e o Problema dos Mediterraneísmos" que, em 1975, foi publicada pelo Instituto de Estudos Românicos, e editada em separata da Revista Portuguesa de Filologia, e foi reeditada em Março de 2006 com o merecido apoio da Associação dos Amigos do Museu Marítimo de Ílhavo

Do Prefácio, que a própria Ana Maria Lopes escreveu, deixo-vos dois breves excertos:

"Nascida e criada na zona ribeirinha de Ílhavo, eu não podia furtar-me à forte influência que o mar exerceu sobre a escolha do tema deste meu trabalho - o vocabulário marítimo português e o problema dos mediterraneísmos."
"O inquérito directo, apesar das suas contingências e dificuldades, constitui o mais precioso meio de aquisição de material. Foi nos próprios locais e em presença dos próprios objectos que recolhi todos estes elementos, ora sentada no areal no meio de pescadores que emendavam redes, ora contra o costado duma embarcação que havia chegado da pesca, ora em pé no cais, presenciando aqueles que se preparavam para a sua faina diária."


E ainda um brevíssimo excerto do texto da Introdução:

"O nosso vocabulário marítimo é duma riqueza e variedade extraordinárias e quem o desconhece pode estar certo de que ignora grande parte do património da língua portuguesa."





Paralelamente à actividade docente e sempre numa perspectiva etnográfico-linguística, tem realizado pesquisas no campo das actividades da Ria de Aveiro e do Mar.

________________________________________


Exerceu o cargo de
Directora do Museu Marítimo e Regional de Ílhavo
desde Novembro de 1990 até Agosto de 1999,
tendo sido autora dos catátogos das exposições “ Retrospectiva João Carlos “, “ Dos dóris, despojos dos homens e do mar” e das folhas de Sala “ Faina Maior “ e “ A Nossa Ria “.





Publicou, com Francisco Marques,
"Faina Maior – A Pesca do Bacalhau nos Mares da Terra Nova"
(Quetzal, 1996, esgotado):



Com a colaboração fotográfica de Paulo Godinho Marques, publicou

"Moliceiros – A Memória da Ria"

(Quetzal, 1997, esgotado):




Publicou “Murtosa – Uma terra a descobrir – Romaria do S. Paio da Torreira”,

com fotografia de Carlos Pelicas e texto de sua autoria.
(Edição Consciente), 2007.




Sábado, 9 de Fevereiro de 2008

Mais umas notas sobre "Vista Alegre - A minha terra"



Considerando o que foi dito durante estes dias sobre a edição, pela Secção Cultural da ACD Os Ílhavos, do livro de João Esteves de Almeida, "Vista Alegre - A minha terra" decidi abrir uma excepção e alargar o espaço anteriormente previsto.

Nesse sentido, decidi deixar-vos aqui:
cópia digitalizada da notícia composta pelo amigo Carlos Duarte e publicada no "Diário de Aveiro" de 4 de Fevereiro último; cópia digitalizada dos textos publicados nesta última edição do jornal "O Ilhavense" , dirigido pelo meu velho amigo Torrão Scaramento (notíca do lançamento, editorial, carta aberta ao João Balseiro) e do "cartoon", com o título genérico "O Codre", da autoria do grande Artista Adélio Simões (outro companheiro e amigo), também publicado em "O Ilhavense" ; e ainda o texto de apresentação do referido livro, que (contra o parecer da sua autora Maria Edite Vieira da Silva), considero merecedor de ser lido (e que sei que só a falta de espaço impediu que fosse publicado na íntegra em "O Ilhavense"); atrevo-me ainda a aconselhar-vos a consulta do "site" da Rádio Terra Nova (http://www.terranova.pt/) para tomarem conhecimento da informação relativa à ACD "Os Ílhavos" editada entre 1 e 4 do mês corrente de Fevereiro.

_______________________________________

Notícia de "Diário de Aveiro"





______________________

A notícia em O Ilhavense:





____________________________________

Texto de apresentação do livro “Vista Alegre, a minha terra”, de João Esteves de Almeida, em 2 de Fevereiro de 2008:


Vivemos um tempo de mudanças. Somos uma geração de gente que assistiu ao ruir de impérios, à destruição de equilíbrios, ao esgotamento de modelos económicos, uma geração a quem faltam elementos de análise credíveis para perspectivar o futuro.
Muitos vestígios palpáveis do nosso passado, mesmo de um passado mais recente, já desapareceram, quer pela acção destruidora do homem, quer pela acção involuntária do tempo. Apesar disso, muitos outros existem ainda na memória dos mais velhos, passados de boca em boca, em forma de histórias de vida.
Não há presente sem passado. É dele que se constrói a nossa identidade e é ele que nos dá individualidade neste mundo cada vez mais global.
O conhecimento das vivências dos nossos antepassados tem, entre outras, a função e o sentido de nos manter vivos, de nos fazer recuperar as energias adormecidas, e é factor de inesgotável e permanente enriquecimento espiritual da vida colectiva. É, por isso, importante preservar essas memórias, não como coisas inertes, de museu, mas como coisas vivas, em permanente renovação, como o próprio presente em que se projectam.
Provavelmente, para alguns de nós, a nossa herança, a nossa História, continua a resumir-se aos vestígios materiais relevantes deixados pelos nossos antepassados, aos palácios, aos museus, às igrejas, e é resultado de grandes acontecimentos, de decisões de “grandes homens”. Mas não!... Hoje, a História não se constrói apenas disso. A História faz-se também de relatos de experiências do quotidiano, de diversos olhares sobre a realidade, de narrativas autobiográficas que traduzem vivências de trabalho e de vida de grupos e populações, relatos que nos mostram como as comunidades conviviam e se relacionavam, que nos falam das suas crenças, dos seus sonhos, das suas lutas, das suas pequenas vitórias, relatos que nos permitem entender melhor as cidades, os campos, as vilas, os seus habitantes, os guettos, os grupos marginalizados, enfim, o quotidiano popular.
A História entendida como ciência exacta e objectiva, como mera justaposição de factos, construída sem qualquer influência do investigador, a História chamada “de cola e tesoura”, tão ao gosto de Collingwood, está ultrapassada.
No período entre as duas guerras, Lucien Febvre idealizou uma revista de história que fundou, em 1929, em parceria com Marc Block, a conhecida “Revue des Annales”. Essa parceria, formada na Universidade de Estrasburgo, durou apenas treze anos, mas foi quanto bastou para que se iniciassem marcantes conquistas nesta disciplina.
A partir dos "Annales", definiram-se as características de uma abordagem histórica que se tornou conhecida como “ História das Mentalidades”, a qual, de forma sistematizada, analisa os sentimentos e costumes dos povos em determinado período histórico, baseando-se no princípio do "tempo longo", já que esses hábitos se transformam de maneira lenta ao longo dos tempos.
Esta nova escola rompeu com o culto dos heróis, deixou de atribuir a evolução histórica à acção dos homens ditos “ilustres” e passou a valorizar o quotidiano, a arte, o trabalho das populações nas fábricas, nos campos, nas cidades, entendendo que a psicologia social é um elemento fundamental para a compreensão das transformações levadas a cabo pela Humanidade. Também os seguidores de Wilhem Wundt autor de "Elementos de Psicologia das Multidões", entraram nessa onda, criando uma concepção psicológico-social da História e defendendo que os acontecimentos históricos são, sobretudo, resultantes de manifestações espirituais produzidas pela vida em comunidade e que os factos históricos são sempre o reflexo do estado psicológico reinante em determinado agrupamento social.
Já na década de 70 do século XX, historiadores e sociólogos herdeiros do pensamento da escola de Chicago, redescobriram o valor da entrevista e dos escritos pessoais autobiográficos na investigação histórica, considerando que as “histórias de vida” são capazes de fornecer informação coerente pela própria natureza, enraizada na experiência social real, capaz de lhes proporcionar achados sociológicos singulares frente aos vazios e lacunas da historiografia oficial.
Como diz Teresa Caldeira na sua obra Uma incursão pelo lado não respeitável do trabalho de campo “Há um consenso entre pesquisadores que trabalham com histórias de vida, que uma boa história “desborda” e deixa vir à tona elementos sequer imaginados e que surpreendem o próprio narrador.” A “história de vida”, diz Teresa Caldeira, “devolve a palavra aos silenciosos e aos esquecidos da História e projecta uma iluminação particular ao social; elas tiram a palavra dos lugares de silêncio e opõem-se ao ponto de vista enquadrado em sistemas de pensamento exclusivos, redutores e totalitários.”
As “histórias de vida” têm hoje, portanto, um papel muito importante na investigação histórica. Como referi, a crise de modelos sociais numa época em que os media parecem homogeneizar as sociedades, devolve às pessoas a difícil tarefa de construir a sua História. Histórias particulares, de género, de classe, de nacionalidade, que rompem o discurso canónico da História entendida como formulação de um saber monotético. Essas histórias articulam, não uma verdade universal, mas um saber exemplar particular – comunicação da sabedoria prática, de um reconhecimento de vida e de experiência – que os meios de comunicação de massas não fazem circular, a não ser convertidas em “mercadoria-espectáculo”

É neste contexto que são importantes os livros de memórias como “Vista Alegre, a minha terra”

A Vista Alegre e a sua fábrica são do conhecimento de todos. Todos temos mais ou menos a ideia de que, desde meados do século XVIII a Inglaterra iniciou, com a revolução industrial, um profundo processo de transformações económico-sociais sendo, posteriormente acompanhada pelo resto da Europa e que, em Portugal, José Ferreira Pinto Basto foi dos primeiros a dar esse passo, fundando, em 1824, no concelho de Ílhavo, a fábrica da Vista Alegre, um empreendimento arriscado que exigia uma produção de alta qualidade e preços adequados às exigências da concorrência.
Quem conhece a história da fábrica sabe, também que, resolvidos os problemas técnicos e institucionais, Pinto Basto passou a preocupar-se com outras questões. O estabelecimento de uma fábrica como a da Vista Alegre, numa quinta isolada, levantara-lhe desde logo o problema do alojamento dos seus funcionários. A solução encontrou-a com a construção de um bairro operário dentro do perímetro das instalações da empresa. Eram casas com poucas condições de conforto e higiene (embora dentro dos padrões da época) e, pela habitação que ocupava, cada operário ficava a pagar à fábrica uma renda simbólica, correspondente a um dia de salário. Esta iniciativa da construção de um bairro operário seria hoje, naturalmente, encarada como uma medida puramente empresarial, com vista à captação de mão-de-obra. Mas não era assim que pensavam os funcionários da empresa. Pelo contrário. Esta iniciativa era para eles reflexo da preocupação e interesse que os “senhores” da Vista Alegre tinham pelos seus servidores. De facto, José Ferreira Pinto Basto revelou sempre, em relação aos seus trabalhadores, algumas preocupações de carácter social e cultural deveras invulgares para os padrões da época.
O baixo nível de instrução das famílias operárias foi uma das suas primeiras preocupações e levou-o a criar, em 1826, nas instalações da própria empresa, um colégio com internato onde se ensinava aos aprendizes de ambos os sexos, além dos conhecimentos necessários para o fabrico da porcelana e do vidro, a leitura e a escrita, a aritmética e o desenho, a pintura e a música. Este colégio iniciou as suas actividades com 13 alunos mas, quando encerrou, em 1842, era já frequentado por cerca de 40. Apesar do encerramento do colégio, a Vista Alegre continuou a ministrar aulas de desenho, pintura e modelação, só interrompendo esta actividade quando foi inaugurada a escola industrial de Aveiro (1894), recomeçando pouco depois, por considerar que a nova instituição não fornecia qualquer técnico ou artista interessado em trabalhar nas oficinas a fábrica.
Outra iniciativa interessante de José Ferreira Pinto Basto foi a criação, também em 1826, de uma filarmónica e de um grupo de teatro exclusivamente compostos por funcionários da empresa. Com estas actividades, desde muito cedo se iniciaram na Vista Alegre os concertos, os bailes, a pintura de cenários, as representações teatrais que, além de permitirem a ocupação do tempo de lazer, depressa se transformaram em fonte de educação e de cultura da maioria dos empregados fabris.
O desporto também não foi esquecido pelos “senhores” da Vista Alegre e, em 1851, já não por iniciativa do fundador da fábrica (que entretanto falecera), mas por um dos seus herdeiros, foi construído o primeiro campo de jogos.
Além de manterem as preocupações de carácter social, cultural e recreativo do fundador da Vista Alegre, os continuadores da sua obra parece terem mantido também as suas preocupações de ordem social. Em 1851 fundaram uma cooperativa de consumo, com preços mais vantajosos que os do mercado, onde eram vendidos, a pronto ou a prestações, alimentos, vestuário, calçado e outros produtos de uso comum e, ainda, antes do final do século, foi criada a primeira instituição de carácter assistencial para os funcionários - a Filantrópica - substituída, em 1923, pelo Montepio da Fábrica de Porcelana da Vista Alegre, instituição que garantia aos funcionários assistência médica e medicamentosa, além de reformas e de subsídios em caso de invalidez permanente.

Por volta de 1924 a administração resolveu melhorar a malha urbana da povoação, tanto ao nível de edifícios como de arruamentos, construiu um refeitório e fundou uma Corporação de Bombeiros. Surgiu também uma comissão de melhoramentos para supervisionar a instalação dos serviços municipais e foram criadas diversas secções com funções mais específicas e de grande interesse para a comunidade local: a secção de higiene, para remoção dos lixos e limpeza e conservação das ruas; a secção de jardinagem, a secção de abastecimento de água e luz e a secção escolar, destinada à instrução e à ginástica. Surgiram ainda serviços de assistência médica e farmacêutica, uma comissão de Desporto e Recreio, com o propósito de organizar os espectáculos de teatro, os concertos da banda, dirigir o Grémio e a sua biblioteca e estimular o gosto pelo desporto. Procurando, também ela, contribuir para este último objectivo, a administração da fábrica resolveu oferecer à população da Vista Alegre um campo de futebol com os respectivos balneários.

E foi assim que o outrora “morgadio” da Vista Alegre se tornou um interessante e animado centro industrial, constituído por uma série de edifícios que circundavam um largo central, amplo e densamente arborizado, dominado pelo edifício da Capela de Nª Sr.ª da Penha de França, mandada construir na época barroca (1699) pelo Bispo de Miranda, D. Manuel de Moura Manuel e atribuída a João Antunes. De um dos lados da capela, ergue-se, ainda hoje, o edifício imponente, de traço sóbrio, que foi em tempos casa dos fundadores; Do outro, a fábrica, lugar de encontro diário de sucessivas gerações de empresários, artistas e operários, espaço colectivo de muitas experiências e memórias pessoais, parte integrante de muitas histórias de vida, de muitos e diversos olhares, como o que nos é dado por João Esteves de Almeida nesta sua “Vista Alegre, minha terra”.



Maria Edite Vieira da Silva
______________________________________________

Editorial de "O Ilhavense" :




__________________________________________



"O Codre" de Adélio Simões:




___________________________________


A carta aberta:

Quarta-feira, 6 de Fevereiro de 2008

João Esteves de Almeida, um artista da Vista Alegre








(notas biográficas incluídas no seu livro Vista Alegre - A minha terra)

________________________________________



No dia 2 de Fevereiro de 2008, realizou-se, na Sede da Junta de Freguesia de S. Salvador - Ílhavo, o lançamento do seu mais recente livro "Vista Alegre - A minha terra".

Edição da Secção Cultural da ACD Os Ílhavos, este livro teve organização de João de Almeida e João Balseiro, design da capa de Tiago Senos, paginação de Pedro Sarnadas e fotografias de André Fradinho e Carlos Cabral. A apresentação foi feita por Maria Edite Vieira da Silva (professora de História) e teve a participação do actor Jorge Neves que disse alguns dos poemas de João Esteves de Almeida. No final foi exibido um magnífico documentário em vídeo de Carlos Balseiro sobre a Vista Alegre. Esta edição teve o apoio da Junta de Freguesia de S. Salvador e do jornal "O Ilhavense". Não teve o apoio da Câmara Municipal de Ílhavo.


São desse lançamento as fotografias que se seguem (da autoria de Carlos Duarte):

(João Balseiro, Edite Vieira da Silva, João Esteves de Almeida, Rufino Filipe)



(Jorge Neves)




(João Esteves deAlmeida)



Do prefácio, que eu próprio escrevi, retiro um breve excerto:


João Esteves de Almeida, como desenhador e pintor que sempre foi, consegue escrever sobre os ambientes, os lugares, as pessoas, com a delicadeza e a simplicidade aparente de quem concebe uma aguarela, com o colorido dos recantos, a frescura das águas do rio e das fontes, o calor da ternura das mulheres e dos homens, a alegria das brincadeiras das crianças e dos jovens, a magia rubra dos fins de tarde. E, embora pudesse refugiar-se no pretexto da neblina da distância, a sensibilidade do Artista não deixa de nos dar os tons menos suaves das amarguras e das tristezas da realidade social daquela época.


_________________




Da "Nota do Autor" (págs. 9 e 10), estas breves palavras que nos fazem adivinhar a magia das páginas deste livro de memórias;



" É desta terra que vos quero falar. Com o coração cheio de saudade, mas também de orgulho de ter nascido no meio desta gente humilde. Com traços leves, mas com sinceridade, quero deixar-vos um pouco daquilo que sei.

Para rir se for caso disso, ou para chorar, sentindo a crueza dos dias desta nobre gente."


Quarta-feira, 30 de Janeiro de 2008

A cor e a sensibilidade de Júlio Pires


Júlio Pires
Da sua página pessoal (que vale a pena visitar em http://www.juliopires.com/ ) transcrevo:

"Júlio Pires é natural de Ílhavo, nascido a 30 de Outubro de 1964. Autodidacta, cria o seu próprio percurso no caminho das Artes Plásticas, frequenta em 1987 um curso de desenho e pintura no Grupo A.C.V. na Fundação Calouste Gulbenkian, sob a direcção de Pedro Andrade. Profissionalmente, foi pintor na Fabrica de Porcelanas da Vista Alegre. Contudo é nas telas que encontra a sua realização pessoal, a sua forma de expressão."




















Segunda-feira, 21 de Janeiro de 2008

A inquietação das palavras de Domingos Cardoso


Conheço o meu amigo Domingos Freire Cardoso desde os inícios dos anos finais dos anos 50 quando o então Liceu Nacional de Aveiro era o ponto de encontro das nossas esperanças de adolescentes. Desde essa época que lhe ficou o jeito de lutar contra o sossego com que tantas vezes nos escondemos do cinzento amargo das nossas vidas.
Engenheiro de formação e professor de profissão, transformou-se a pouco e pouco num trabalhador de palavras com as quais procura redescobrir a seiva da terra da sua infância.






Do seu livro
"O Terceiro Vértice",
que publicou e editou em 2003,
escolhi três poemas:




Voltar atrás?...


Ao olhar para mim não me revejo
No petiz que eu fui, jovem que sonhou,
Parecendo que a fé já se esfumou
Na tortuosa estrada em que mourejo.
Em adulto perdi todo o ensejo
De fazer o que sempre me animou
E a vida tão sonhada se mudou
De grande sinfonia em fraco harpejo.
No tremor alquebrado dos joelhos
Sinto que foram vãos esses conselhos
Que tanto me previram este fim.
Tentar voltar atrás de nada vale
Por não haver regresso que me cale
A saudade que sofro já por mim!

Estrada



Olhando as minhas mãos, assim despidas,
Tão vazias de anéis e compromissos,
Tão desnudas de feitos e feitiços
Penso que as intenções foram perdidas.
Descubro em minhas rugas esculpidas
As marcas dos propósitos postiços
E, nos olhos, de brilhos já mortiços,
A dor de renovadas despedidas.
Tive amor no meu peito e não o quis,
Senti um sonho à mão e nada fiz
Por julgar que este mundo era ilusão.

Tendo de meu tão pouco ou quase nada
Vejo, no fim da estreita e erma estrada,
Sorrindo, à minha espera, a solidão.





Sabedoria
(dedicado à minha Mãe)



Sabia
espalhar o estrume,
cavar a terra,
lançar a semente.
Regava o milho,
colhia a espiga,
armazenava o grão.
Mas não sabia... quem foi D. Dinis.

Sabia
apanhar a erva,
ordenhar as vacas,
salgar o porco.
Peneirava a farinha,
tendia a massa,
cozia o pão.
Mas não conhecia... a padeira de Aljubarrota.
Sabia
caiar a casa,varrer o chão,
pontear a roupa.
Punha flores na jarra,
pregava um botão,
vestia-se lavada.
Mas não sabia... escrever a palavra Mulher.
Sabia
preparar um remédio,
esconder uma angústia,
rezar uma oração.
Penteava os filhos,
aconchegava-lhes a cama,
não comia para lhes dar.
Mas não sabia... ler a palavra Mãe.

Quinta-feira, 17 de Janeiro de 2008

Augusto Nunes, o poeta que veio do mar



Sobre este poeta ilhavense escrevi um dia
"...Os poetas vivem no desassossego de fazer do efémero de cada gesto o ponto de partida para a eternidade. E é dessa batalha constante que se faz a força de muitos dos poemas de Augusto Nunes..."




Em Março de 2006, numa edição da Secção Cultura da A.C.D. Os Ílhavos, publicou o livro
"Os Espelhos da Água"
do qual aqui vos deixo hoje três poemas.






Espelho de água



acendem-se as cidadelas
confundem-se com elas
as estrelas...
e os espelhados
espalhados
brilhos delas...
p'lo debrum das casarios
as vigias dos navios
amarelas
parecem sóis
e as dos albóis
as velas
da luz dos lares...
da cruz dos altares
das capelas...

revérberos de melancolia
que em noites de calmaria
dão à poesia
o tom das aguarelas...



Pregões



saía de casa...manhãzinha cedo...
e mal entrava na rua de Espinheiro
gaguejando no pregão e no praguedo...
acordava o povo... um barateiro...
também pelo cantar do passaredo
prometia a taluda um cauteleiro...
e beijando o sol ainda o dia a medo
já aos cães se ria um burro de azeiteiro...
pousando as canastras no lagedo
discutiam as peixeiras de nariz no dedo
porque a "vivinha da costa" duma delas tinha cheiro...
até que dos beiços de um funileiro
um som de gaita vinha a terreiro
juntar seu banzé ao sublime enredo...




O Aguça


de gaita de beiços anuncia
que chega
de roda galega
à freguesia...
arranja pratos
panelas velhas
agrafa selhas
sola sapatos
amola facas...
as tesouras todas...
as das costuras e as das podas
reforça forras fracas
solda latas e latões a estanho
como fundilhos rebita chapas
crava ilhóses na dobra das capas
e pica o gume cego do gadanho...
cega os olhos das enxadas e marretas
prega pedaços de pneu no pau das chancas
espeta protectores nas tamancas
e endireita às umbrelas... as varetas...
a mim agora só me afia os versos
até que chegue o caldeireiro...
para que num dia vindimeiro
me desempene os que por aí há dispersos...

Terça-feira, 15 de Janeiro de 2008

A subjectividade da objectiva de Carlos Duarte

(Carlos Duarte numa fotografia de Carlos Alberto Rocha)

O meu amigo Carlos Duarte tem, ainda hoje, apesar muitos anos de amor por Ílhavo (onde vive), aquele jeito romântico de quem nasce na cidade de Coimbra à beira do Mondego eterno. E talvez por isso mesmo nunca tenha renunciado a uma velha paixão sempre publicamente assumida: a de nos mostrar o seu (e muitas vezes nosso) quotidiano através da subjectividade da sua objectiva fotográfica...


...E em 24 de Novembro de 2007 decidiu publicar em Ílhavo o livro



40 anos de fotografias


Da introdução escrita pelo próprio Carlos Duarte, atrevo-me a recortar estes breves excertos:


"...

Fotografar para mim sempre foi e continua a ser uma forma de comunicar e dar a conhecer aos outros o que se passa, muitas vezes mesmo ao nosso lado e que muitos teimam em não ver e outros não conseguem visualizar.

...

Este livro é a forma que tenho em mostrar uma pequena parte da minha história , deste país e de Ílhavo. Não pretendo que seja um livro de "fotografia", mas um livro de fotografias, tendo muitas sido "companhia" de textos em vários jornais e outras ilustraram revistas e livros.

... "






















Segunda-feira, 14 de Janeiro de 2008

O poeta cantor Geraldo Alves




Geraldo Alves, natural de Ílhavo, é um velho amigo e companheiro de muitas horas de cantigas de palavras abertas. Com Artur Ramisote formou um duo de cantautores que ultrapassou decididamente os limites do sucesso obtido em festivais e espectáculos locais.

Em 2003 publicou o seu primeiro livro "Cravos com espinhos" numa edição da ACD "Os Ílhavos".









É deste livro que escolho três poemas:







O meu país




No meu país
existe um rio de ternura
corre nas veias dos poetas do meu povo
o meu país
faz poesia da amargura
e da loucura
vinho velho e sangue novo


O meu país
chora na voz de uma guitarra
embebeda-se no sangue das touradas
ri do passado
e da saudade a que se agarra
cai de joelhos
com a alma torturada


O meu país
é uma criança irrequieta
brinca com a vida
hoje perde amanhã ganha
e à noitinha
mal se deita logo aquieta
cavalga o sonho não há nada que o detenha


O meu país
de cheiro a vinho e maresia
espuma do mar
envelhecida de emoções
vive do sonho
renovado dia a dia
e das mãos nuas calejadas de ilusões



E os olhos inquietos beijando o mar







Maria



Maria dos ventos incerta
aberta nos livros da paz
prenhe de sonhos e poentes
quentes
beijos que não dás



Maria dos montes caída
traída pelos donos da luz
feita perfume num soneto
preto
canto que seduz


Sai dessa imagem de folia
que os teus lábios quem diria
nunca souberam a mel


Vai que o teu mundo oh Maria
tem teu ar de manhã fria
não és fúria de corcel



Maria das mãos retalhadas
cansadas de tanto labor
vendem-te a alma pelas ruas
cruas
rimas sem amor


Maria dos seios caídos
erguidos num gesto sem fundo
nunca permitas que uma quadra
errada
fique no teu mundo



Portas por abrir



Na terra onde nasci
os homens morrem sem ver
e os cravos que eu nunca vi
serão a força a beber

Que eu canto poetas loucos
portas abertas ao vento
e a noite e os gritos roucos
canções de raiva lamentos


fugi do tempo e o amanhã
sorriu p'ra mim
cantei amor a dor e o fim

saltei o sol bebi o mar
matei a morte
vesti o trigo abrigo bem forte

Sexta-feira, 11 de Janeiro de 2008

A arte do meu amigo Adélio Simões

Adélio Simões
































__________________________________



De uma exposição em Junho de 2004 na Galeria Municipal de Ílhavo :